terça-feira, 8 de setembro de 2015

Amores Livres



A questão da semana é o caso da internauta cujo marido começou a se relacionar com uma amiga e diz estar apaixonado por ela, mas ao mesmo tempo diz amar e desejar muito a esposa. Declara desejar ter um relacionamento amoroso com as duas.
O amor é uma construção social, e em cada época da História ele se apresentou de uma forma. O amor romântico, pelo qual a maioria de homens e mulheres do Ocidente tanto anseia, prega que os dois se transformam num só e, claro, não há interesse por nenhuma outra pessoa.

Mas a busca da individualidade caracteriza a época em que vivemos; nunca homens e mulheres se aventuraram com tanta coragem em busca de descobertas, só que agora para dentro de si mesmos. Cada um quer saber de suas possibilidades, do desenvolvimento de seu potencial.
O sociólogo inglês Anthony Giddens chama de “transformação da intimidade'' um fenômeno sem precedentes com milhares de homens e mulheres. Estimulados por amplos movimentos sociais estão tentando, consciente e deliberadamente, desaprender e reaprender a amar.
Penso que para uma relação a dois valer a pena, alguns fatores são primordiais: Total respeito ao outro e ao seu jeito de ser, suas ideias e escolhas. Nenhuma possessividade ou manifestação de ciúme que possa limitar a vida do parceiro (a)
Poder ter amigos e programas em separado. Nenhum controle da vida sexual do parceiro (a), mesmo porque é um assunto que só diz respeito à própria pessoa. Poucos concordam com essas ideias, na medida em que é comum se alimentar a fantasia de que só controlando o outro há a garantia de não ser abandonado.
O psicoterapeuta e escritor Roberto Freire afirma em seus livros que o verdadeiro ato de amor é o que garante a quem amamos a liberdade de amar, além e apesar de nós e de nosso amor. Ele acredita que apesar de muita gente considerar que essa ideologia amorosa é pura utopia, quase todos sonham com ela.
Não alimentando fantasias românticas de fusão com outra pessoa, cada um tem a oportunidade de se sentir inteiro, sem necessitar de outro para completá-lo. Aí então será possível descobrir as incontáveis possibilidades do amor e como ele pode se apresentar para cada pessoa em cada momento de diferentes maneiras. Amar e ser amado vai significar muito mais.
O movimento de emancipação feminina e a liberação sexual dos anos 60 trouxeram mudanças profundas na expectativa de permanência de uma relação conjugal. Surgiram muitas opções de lazer, de desenvolver interesses vários, de conhecer outras pessoas e outros lugares.
Hoje, é cada vez maior o número dos que optam por não estabelecer relações amorosas estáveis com uma única pessoa. Consideram a vida a dois um obstáculo à própria autonomia. Apreciam a descoberta, a aventura, a falta de rotina, o convívio com pessoas diferentes e, principalmente, não querem se sentir obrigados a fazer alguma coisa só para agradar ao outro. Portanto, não há dúvida de que as formas tradicionais de relacionamento amoroso se abrem para novas possibilidades.


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