quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Queria viver um conto de princesa, mas fiquei beijando o sapo por toda a vida…

E quando isso acontece, heim?
Toda menina parece ser criada e educada para casar bem, ter filhos, constituir uma família.
De preferência que seja um homem bom, honesto, bem sucedido, de família religiosa.
Ela precisa ser recatada e escolher a dedo o homem. Que ela seja virgem e entregue-se somente a ele. Não pode ser “rodada”, não pode ter experimentado, precisa ser amor a primeira vista.
Existe uma visão romântica da sociedade e da própria mulher (que desconfio ser cultural) que a mulher se apaixona, se envolve. Homem quer sexo, mulher quer amor.
Olha, isso se assemelha muito á prática de ablação. Porém a mutilação genital feminina é física e o que a mulher vem sofrendo, é mutilação psicológica e social.
Milhares de mães solteiras e viúvas que são oprimidas pela família, pelo meio, impedidas de cuidarem de todas as esferas da sua vida, sendo destinadas a cumprir a missão de cuidar dos filhos e nada mais (como isso seria possível?).
Milhares de adolescentes que tem medo de conhecer homens e se cuidam para não ficarem mal faladas. Precisam achar um namorado para que seja aceita na sociedade.
Mulheres que optam por não manter um relacionamento fixo e são execradas pelas famílias, vizinhos, colegas.
Então, porque uma mulher não pode experimentar? Porque a vagina fica rodada e o pênis experiente? Porque mulher experiente é feio e homem inexperiente é bobão?
Daí, a mulher fica buscando este príncipe encantado, se casa num conto de fadas e….. descobre que beija um belo de um sapo, todos os dias. E fica amarrada. Se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come. Custa a se re-erguer e a toda tentativa, encontra mil e um obstáculos colocados por…. pasmem: mulheres!
Um ciclo de opressão, feito pelos próprios oprimidos. Nós mulheres podemos mudar o mundo. Somos responsáveis por eles, porque gestamos, parimos e criamos, homens e mulheres. Nós podemos educar nossos filhos para um mundo mais livre, mais respeitoso, mais acolhedor.
Por muito tempo a mulher achou que estava sendo salva. Assim, como as mães africanas que levam as filhas para a ablação, nossas mães nos ensinaram a seguir a risca os procedimentos pensados corretos para uma mulher! Mas estamos abrindo os olhos: isso não é salvação. Isso é a morte. A morte do selvagem, a morte do instinto, a morte da beleza que um olhar feminino livre carrega.
Chega de contentar-se com sapos! Queremos guerreiros, leões! Queremos encontrar o melhor de nós. Queremos conhecer nosso limite, ou a ausência dele. Queremos sentir a vida pulsar em todas as relações e eventos femininos: sexo, parto, amamentação, relações afetivas, menstruação. Somos seres livres e o melhor de nós está nesta inquietude!


Por Letícia Dawahri


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