domingo, 27 de setembro de 2015

O preço da virgindade

A questão da semana é o caso é o caso da internauta que se sente pressionada pelo namorado para fazer sexo e ela pede para que ele tenha paciência. Ela esperava que essa primeira vez acontecesse após ter certeza dos sentimentos dele. Mas ele a tratou friamente após mais uma recusa.
Embora a maioria dos jovens no Ocidente declare não pretender se casar virgem, não é tão simples assim o início da vida sexual, ao contrário do que possa parecer. Sentimentos confusos de medo e vergonha se mesclam ao intenso desejo sexual que surge na puberdade.
Tanto os rapazes como as moças temem a primeira relação sexual. Entretanto, falar em perda de virgindade para os homens é impróprio, já que essa primeira experiência para eles é um ganho, simbolizando sua condição de macho.
Para as meninas a cobrança de que escolham o momento, a circunstância e a pessoa certa, além de toda a expectativa romântica que aprendem a alimentar, retarda a iniciação sexual. Contudo, deixar de ser virgem não significa a mesma coisa para todas as pessoas: tanto pode ser vivido como uma experiência sem importância, como dramatizado ao ponto da ostentação pública de lençóis manchados de sangue.
Com o sistema patriarcal a sexualidade feminina passou a ser controlada para garantir a paternidade, além do fato de que uma virgem era uma mercadoria valiosa. Recatada, daria ao homem muitos filhos legítimos que lhe assegurariam a futura mão de obra.Todas as prescrições bíblicas para proteger a virtude feminina na verdade visavam proteger os direitos de propriedade do homem em relação às suas esposas e filhos.
Um homem que fizesse sexo com uma moça solteira e virgem, se descoberto, deveria ressarcir o pai da moça em dinheiro. Quando havia a exigência legal de que ele desposasse a moça, o único objetivo era proteger a economia masculina. A jovem se tornou mercadoria sem valor e não seria justo sobrecarregar o pai com ela, e o homem que causou a perda deveria adquiri-la.
Se um homem depois de casado descobrisse que sua noiva não é mais virgem, seguia-se o preceito bíblico: “Levem a donzela até a porta da casa do seu pai e os homens da cidade deverão apedrejá-la até que morra” (Deuteronômio, 22-13-19). Essa lei visava proteger também o pai da moça. Uma noiva desonrada não poderia ser revendida, então, se providenciava a destruição desse bem, agora sem valor econômico.
Contudo, não há dúvida de que os preconceitos diminuíram bastante e o número de moças que chegam virgens ao casamento é cada vez menor. Nos Estados Unidos, no início dos anos 60, metade das moças se casava virgem e nos anos 80, nem 20%. Não é espantoso, então, que, no século 21, ainda há jovens que rotulam de galinha a mulher que gosta de sexo e não finge?
Com todo o liberalismo trazido pela revolução sexual, a expectativa do prazer continua a ser mais complicada para as moças do que para os rapazes. A nossa cultura estimula a culpa da menina quando percebe o despertar de seus desejos sexuais.
A repressão é tão grande, embora muitas vezes sutil, que elas se tornam amedrontadas e inseguras. São tantos os conselhos e advertências, tantas proibições e alertas quanto aos perigos que podem estar envolvidos, que em raros casos o sexo é vivido com tranquilidade e prazer.
Apesar da pílula anticoncepcional ter resolvido a questão da gravidez indesejada, muitos rapazes, vítimas da cultura patriarcal, sem saber explicar por que, declararam preferir moças virgens para um relacionamento duradouro.
Surge então o que durante muito tempo ficou camuflado sob a preocupação da legitimidade dos filhos: a insegurança do homem quanto à sua competência sexual. Temendo ser comparado com outros homens, muitos preferem mulheres inexperientes. Só os que se sentem seguros quanto ao seu desempenho não se importam com a virgindade da mulher.
http://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2015/09/19/o-preco-da-virgindade/


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